la caisse du mouton
Antoine de Saint-Exupéry

[ assim inaugurou aquele que será o seu último Outono ]


Quando deu por si, já estava no exterior do edifício onde o bom doutor pratica a medicina, voltou atrás para se certificar de que pagara a consulta e respectivos exames. De novo no exterior, cumpriu o gesto habitual – a contemplação da fachada Arte Nova do edifício. Tirou da mala o bloco de esboços -A5 e um lápis (macio e escuro, muito). Deixou que o dia anoitecesse. O dia do decreto do fim da minha capacidade fisiológica, pensou. Sorriu sarcasticamente, quase como quem se quer magoar a si próprio. Amanhã vou à papelaria comprar uma caixa enorme de lápis de cor, decidiu. O seu escárnio nunca durava mais do que cerca de 5 ou 10 minutos. Ainda se lembrou que se desse demasiada importância à vida a sua mente já se concentraria nos pormenores a não descurar. Más novas, recebera más novas. Sabia da naturalidade de não se sentir desesperada. Durante o caminho de volta à vila, dedicou-se à condução e às sombras amarelo-torrado das árvores. Foi um grande suspiro que libertou quando fechou, por dentro, a porta de casa. Olhou à sua volta e deu passos ao mesmo tempo que despia do seu corpo, robusto mas findo, pedaços do traje de ir à cidade grande. A única coisa que continuava a intrigá-la era a solidão, há muito que se resignara mas nunca conseguira compreender. A tentativa de entendimento da solidão fora o grande objectivo, e simultaneamente distúrbio, da sua existência. Isto aconteceu em absoluto silêncio.






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Uma árvore é uma obra de arte quando recriada em si mesma como conceito para ser metáfora.


Alberto Carneiro