la caisse du mouton
Antoine de Saint-Exupéry

olá, como está?

Eu até talvez quiçá gostaria de acreditar que não passa pela cabeça da vizinha de cima que o seu cão uiva todo o tempo em que ela está ausente de casa – suspeito que muitas vezes uiva também na sua presença, como hoje de manhã (e as outras manhãs, começo a perceber a preferência do cão para as manhãs dos fins-de-semana), diz-me o ruído das portas a bater que talvez haja gente em casa enquanto o cão uiva (na varanda?), talvez - por exemplo, eu provavelmente acreditaria que à vizinha de cima não passe pela cabeça que, quando lava o mijo do cão da varanda, atirando baldes de água em direcção ao escoadouro (sem utilizar essa modernice que consegue agarrar a água para depois se verter para dentro de um balde: a esfregona), a água-de-mijo vem cair na minha varanda em cima da mesa e dos cadeirões (almofadas inc.). Que dizer? Nunca reparou, a boa senhora. Deve gostar muito de animais, dir-se-á, tem um gato e um cão. O mijo do cão é lavado para dentro da minha varanda, a areia do gato repousa num saco, no vão das escadas, à espera que alguém a leve até ao contentor do lixo. É uma senhora fina, a vizinha de cima, fuma cigarros daqueles longos, sei porque há dias caiu um quase inteiro que acabou de queimar na minha varanda, ao lado de um cadeirão (almofada inc.), só não fomos todos torrados até ao inferno porque o cigarro falhou o cadeirão (o tal com almofada incluída, que é ele próprio de madeira, material excitável pelo fogo, portanto) por cerca de 10 cm. É assim, a minha vizinha de cima, uma senhora muito cortês, diz sempre “Olá, bom-dia/boa-tarde” e remata com um gentil “como está?”.



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Uma árvore é uma obra de arte quando recriada em si mesma como conceito para ser metáfora.


Alberto Carneiro